Além da mamografia: o que realmente faz parte da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de mama?
“Faço minha mamografia. Então estou fazendo tudo para prevenir o câncer de mama?”
Essa pergunta mistura três conceitos que parecem iguais, mas não são: reduzir o risco, rastrear e diagnosticar precocemente.
A mamografia pertence principalmente ao rastreamento. Ela é realizada em mulheres sem sinais ou sintomas com o objetivo de identificar alterações suspeitas antes que sejam percebidas.
Atualmente, o Ministério da Saúde recomenda no SUS o rastreamento populacional entre 50 e 74 anos, a cada dois anos. Mulheres entre 40 e 49 anos também podem acessar o exame após orientação sobre benefícios e riscos. Mulheres com risco elevado podem necessitar de estratégias individualizadas.
Mas fazer mamografia não significa que nada mais importa.
Existe algo que eu possa fazer para reduzir meu risco?
Sim. Embora nenhum comportamento consiga garantir que uma pessoa não desenvolverá câncer, alguns fatores são modificáveis.
Manter peso adequado, praticar atividade física e reduzir o consumo de bebidas alcoólicas estão entre as medidas associadas à redução do risco. A amamentação também é considerada fator protetor.
Outros fatores não podem ser modificados, como idade, determinadas características genéticas e parte da história familiar.
E o famoso autoexame?
Hoje, a conversa é mais ampla do que seguir obrigatoriamente uma técnica mensal diante do espelho. O importante é conhecer suas mamas e perceber mudanças!
Nódulo é o sinal mais conhecido, mas não é o único. Retração da pele, mudança persistente no mamilo, secreção espontânea, alterações da pele e linfonodos aumentados na axila também podem exigir investigação.
E aqui existe uma diferença fundamental: uma mulher com sintoma não está mais fazendo rastreamento. Ela precisa de investigação diagnóstica.
Por isso, mesmo uma mamografia recente e normal não é motivo para ignorar uma nova alteração.
Histórico familiar também importa!
Ter casos de câncer de mama ou ovário na família, principalmente em determinadas idades e combinações familiares, pode modificar a avaliação de risco. Mas a ausência de histórico familiar não elimina a possibilidade da doença.
Da mesma maneira, mamas densas podem exigir atenção específica: além de dificultarem a interpretação da mamografia, a alta densidade mamária está associada a aumento de risco.
Exames complementares podem ser indicados em situações selecionadas.
No final, prevenção não é um único exame.
É uma combinação de hábitos, conhecimento do próprio corpo, avaliação do risco individual, rastreamento adequado e investigação rápida quando alguma coisa muda.
Neste Outubro Rosa, pense: “Será que eu sei qual é a estratégia de cuidado adequada para mim?”
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👩🏻⚕️ Dra. Nelly Kobayashi | CRM-SP 129.368



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